O gene de sentir-se bem e fazer o bem

A revista Veja desta semana publicou uma matéria chamada O Gene da Felicidade. Ela fala de uma pesquisa realizada por Steve Cole, professor de Medicina da Universidade da Califórnia, em parceria com a psicóloga Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, uma das mais conceituadas pesquisadoras na Psicologia Positiva. Foi ela quem calculou o famoso Quociente de Positividade (ver vídeo),  o ponto de virada para o florescimento humano, que consiste em viver pelo menos 3 vezes mais emoções positivas do que negativas.

Cole e Fredrickson correlacionaram o perfil genético de centenas de voluntários a dois tipos de felicidade, conhecidos na Psicologia Positiva como felicidade hedônica e felicidade eudaimônica. Eu tive a oportunidade de assistir os resultados preliminares dessa pesquisa 3 anos atrás, no Congresso Mundial de Psicologia Positiva, em Los Angeles. Coincidentemente, há pouco mais de um mês, gravei um vídeo chamado O que é importa é sentir-se bem ou fazer o bem, onde explico, de forma bem simples, a diferença entre esses dois tipos de felicidade.

 

 

Na Grécia Antiga, havia duas doutrinas filosóficas sobre a felicidade. Aristipo de Cirene acreditava que, para sermos felizes, deveríamos viver o máximo de prazeres possível e o mínimo de desprazeres. Essa doutrina ficou conhecida como hedonismo. Por outro lado, Aristóteles defendia a ideia de que a felicidade não era um sentimento que vinha de prazeres passivos, mas da prática de ações virtuosas. Essa corrente foi chamada de eudaimonismo. Na Tríade da Felicidade  (ver vídeo), proposta por Seligman e Peterson, a felicidade hedônica está relacionada ao caminho da vida prazerosa, enquanto a felicidade eudaimônica relaciona-se com a vida engajada e significativa. Para facilitar a compreensão, me refiro à felicidade hedônica como sentir-se bem, e à felicidade eudaimônica como fazer o bem. Prazeres, como comer chocolate, tomar cerveja, fazer compras, certamente nos fazem sentir bem, mas as pesquisas mostram que, quando praticamos ações em benefício de outras pessoas, no sentimos mais felizes do que quando fazemos coisas unicamente para benefício próprio. E muitas vezes quem ajuda fica ainda mais feliz do que quem é ajudado.

Agora, as pesquisas mostram que a expressão gênica dos dois tipos de felicidade é diferente, e que as pessoas que apresentam alto nível de felicidade eudaimônica (significado e propósito) possuem menos riscos de doenças inflamatórias (que aumentam a chance de câncer e doenças degenerativas), bem como maior reação antiviral. Esse padrão genômico é exatamente o oposto do encontrado em pessoas que sofrem de solidão e stress, e não foi encontrado na felicidade hedônica (sentir-se bem), apenas na eudaimônica (fazer o bem).

Para que não haja confusão, faço aqui uma observação importante. Esses achados não significam que as pessoas são felizes ou virtuosas porque possuem o gene da felicidade. Pelo contrário, a expressão gênica se refere à maneira como nosso código genético se manifesta, sendo fortemente influenciado pelo nosso comportamento, estilo de vida e interações sociais. Ou seja, fazer o bem sem olhar a quem, além de te deixar mais feliz, altera a expressão dos seus genes e proporciona maior saúde e bem-estar. Então, que tal fazer o bem e ser mais feliz?

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